Sinaes 20 anos, e as mudanças continuam

06/05/2024 16:43

Sinaes 20 anos, e as mudanças continuam

REVISTA ENSINO SUPERIOR • 06 de maio de 2024

Fonte da Notícia: REVISTA ENSINO SUPERIOR
Data da Publicação original: 29/04/2024
Publicado Originalmente em: https://revistaensinosuperior.com.br/2024/04/29/sinaes-20-anos-e-as-mudancas-continuam/

Em 2024, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) completa duas décadas. O instrumento foi desenvolvido pelo MEC para analisar o desempenho discente, cursos e instituições de ensino. Entre as discussões de melhorias para o futuro, o novo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para as licenciaturas é uma das grandes apostas do sistema. A proposta ganhou destaque em evento promovido nos dias 24 e 25 de abril pela Conaes, em parceria com o Inep, que celebrou os 20 anos do Sinaes em Brasília.

Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp, marcou presença no Sinaes 20 anos e conta que a reformulação do sistema foi pauta de debate nas mesas que fizeram parte da programação. “Há uma promessa de refazer os instrumentos de avaliação in loco e isso deve sair para consulta pública a partir do segundo semestre”, diz. Para que a Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) possa trabalhar de forma mais eficiente na supervisão do sistema, Capelato relata a apresentação da ideia de uma ‘cesta de indicadores’. O objetivo é aproveitar todos os dados que geram indicadores, como o Conceito preliminar de curso (CPC) e outros.

“Falou-se muito sobre a criação de dois indicadores: um que possa medir a empregabilidade e o sucesso do egresso, e – para entender o quanto as IES estão conseguindo formar – um indicador que supervisione a trajetória do aluno e os índices de evasão”, detalha. “E a grande notícia, que já havia sido divulgada mas que foi reforçada, é a criação do Enade anual para licenciaturas, além de uma mudança completa na concepção da prova, com muito mais itens e uma nova metodologia”, ressalta Capelato.

Taiguara Langrafe, vice-reitor e professor de administração da Fecap, também chamou atenção para um aumento da expectativa em relação ao novo modelo do Enade e quanto aos novos instrumentos de avaliação in loco. “Certamente teremos novidades contemplando acompanhamento de egressos, extensão e EAD”, diz.

Mauro Rabelo, professor titular da Universidade de Brasília (UnB) e membro do Conselho Nacional de Educação, fez parte de uma mesa no segundo dia de evento, onde comentou a necessidade de um novo fluxo nos processos de avaliação que, atualmente, levam um longo tempo devido à grande complexidade. “Precisamos de um mecanismo de simplificação em alguns atos que precisam ser avaliados com mais detalhes.”

Rabelo defende que as discussões sobre a revisão da regulação requerem clareza sobre o caminho que a avaliação tem tomado, pois “a avaliação é a base da regulação.” Para o especialista, a revisão do fluxo deve acontecer naturalmente, “a partir da implementação do novo processo de avaliação da educação superior.”

Foco no corpo discente

A reitora da Universidade de Franca (Unifran), no município paulista, Kátia Ciuffi, enfatiza que o estudante deve estar no centro das discussões. “Não podemos pensar no instrumento e não falar no estudante, que é diverso. O aluno deve ser formado com um olhar mais amplo para o mundo e o Sinaes deve olhar para a diversidade, se adaptando às mudanças da sociedade”, frisa. Para Kátia, o sistema de avaliação deve respeitar também as individualidades regionais das instituições de ensino. “Tenho um estudante que, para chegar na Unifran, precisa atravessar uma balsa toda noite para pegar uma estrada e chegar ao campus. A realidade dele é outra e isso deve ser considerado, assim como a sustentabilidade, as crises energéticas e a saúde mental, desafios presentes no mundo atual.”

Sobre a implantação do Enade anual para as licenciaturas, Kátia acredita que a mudança requer análises. “O estudante não deixa de fazer uma licenciatura porque ela é mal avaliada, mas porque a carreira não é valorizada”, exemplifica. “Precisamos dar mecanismos para que os estudantes saibam procurar o curso, não necessariamente um curso avaliado com nota 5 é melhor do que um curso de nota 4. É um caminho longo para um país grande e diverso”, pondera.



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