Por que investir em educação é mais do que investir no futuro

08/02/2021 13:32

Por que investir em educação é mais do que investir no futuro

INVESTIDOR ESTADÃO • 05 de fevereiro de 2021

Fonte da Notícia: INVESTIDOR ESTADÃO
Data da Publicação original: 04/02/2021
Publicado Originalmente em: https://einvestidor.estadao.com.br/colunas/marcelo-biasoli/investir-futuro-educacao/

Segundo a empresa de inteligência de mercado HolonIQ, o mercado de educação mundial deve receber mais de US$ 7 trilhões em investimentos de governos, empresas e consumidores até 2025 e atingir o patamar de US$ 10 trilhões em 2030. Esses números expressivos reforçam as oportunidades em um mercado fragmentado, subdigitalizado e com potencial de inovação em escala global.

Os investidores globais, de olho de nesse segmento, deixaram claro as suas intenções. Em 2020, os fundos de Venture Capital investiram mais de US$ 16 bilhões em EdTechs. Foram mais de US$ 20 bilhões em negócios de fusões e aquisições em uma onda de capital de crescimento e oportunidades.

Outro fator que chama a atenção são as projeções que apontam para mais 2 bilhões de graduados em escolas, universidades e cursos alternativos no mundo em 2050 do que atualmente, impulsionados por um maior interesse e participação dos estudantes e pelo crescimento populacional.

No Brasil, o potencial do ecossistema de educação vem aumentando ano após ano e o mercado deve passar por mudanças significativas no ambiente de negócios nos próximos anos.

O Governo Brasileiro investe cerca de 6% do PIB em educação, mas em contrapartida o país encontra-se na posição número 57 no último ranking mundial divulgado do PISA. São mais de 48 milhões de estudantes e várias oportunidades de melhoria que passam por aumentar o volume de investimentos, melhorar a qualidade do aprendizado, erradicar o número de analfabetos, diminuir a taxa de abandono escolar, aumentar a taxa de escolarização, entre outras.

No mercado de educação superior, o crescimento se mostra significativo nos últimos anos. São aproximadamente 6,5 milhões de alunos e 2.400 entidades de ensino superior privadas, que apresentaram um faturamento de R$ 170 bilhões em 2019. Em 2007, o setor teve o primeiro IPO e de 2008 até o primeiro semestre de 2019 foram 294 transações de fusões e aquisições segundo dados da Consultoria KPMG.

E não podia faltar o mercado das EdTechs, que atuam para resolver os problemas atuais do setor, conectados com as tendências no segmento.

De acordo com o EdTech Report 2020 da Distrito, são 559 Edtechs mapeadas em um mercado que teve investimentos de US$ 3 milhões em 2011 e totalizou US$ 173 milhões em 2020, sendo o quinto maior em quantidade de negócios.

A pergunta que se faz necessária é: Como os modelos atuais de educação proporcionarão acesso em escala, qualidade e velocidade exigidas pelo mercado?

Essa resposta exige a conexão entre vários fatores que vão desde a regulação dos mercados, a atuação dos Governos, da iniciativa privada, do surgimento de modelos de negócio inovadores e com tecnologia, mas que começa com uma reflexão importante, que é como aprendemos e evoluímos como seres humanos.

Sir Ken Robinson, como era chamado o inglês que foi autor, palestrante e consultor sobre inovação na educação, mostrou, em uma conversa engraçada e instigante em um dos seus TEDs, os três princípios cruciais para que a mente humana floresça e também como sair do “vale da morte educacional” para nutrir a mente das diversas gerações sobre as possibilidades no futuro. Fica a dica para os que pretendem investir no ecossistema de educação!

O primeiro princípio é que as pessoas são naturalmente diferentes e diversas. A educação do futuro deve levar isso em consideração. As jornadas de aprendizagem devem ser individualizadas e conectadas com as experiências que cada um possui durante a sua vida.

O segundo princípio é a curiosidade. Ela é o motor da conquista que permite acender a chama do aprendizado. Se não há aprendizado acontecendo, não há educação. O principal objetivo da educação é fazer as pessoas aprenderem.

E o terceiro princípio é que a vida humana é fundamentalmente criativa. Nós criamos nossas vidas e podemos recriá-las à medida que vivenciamos as coisas, imaginando alternativas e possibilidades. Um dos papéis da educação é despertar e desenvolver esses poderes de criatividade.

Com todo esse cenário, espera-se um crescimento significativo na tecnologia educacional, uma mudança nos segmentos de ensino como o crescimento de iniciativas na primeira infância, ensino fundamental e capacitação da força de trabalho e ao mesmo tempo uma remodelação gradual do ensino superior. Novos modelos, novo capital e novos atores entrarão no mercado de educação e os mercados emergentes se posicionam para adotar abordagens inovadoras no segmento. Abordagens que levarão em conta as tendências como:

    Implementação de Nanolearning com aprendizagem em períodos curtos e com menos conteúdo
    Intensificação do Aprendizado Baseado em Projetos (PBL) em aulas presenciais e online
    Experience Learning como prática para aumentar o interesse do aluno através de exercícios colaborativos, Gamificação etc.
    Lifelong Learning: onde cada um é protagonista de seu aprendizado e deve entender quais são os formatos e prazos que lhes cabe melhor

    Modelo híbrido de ensino (presencial + online)

Aqueles que desejam investir devem aproveitar não somente as janelas de oportunidades de negócio e investimentos, mas também contribuir para melhorar a qualidade da educação no País, promover uma educação infantil que permita as crianças explorarem o seu lado criativo, desenvolver novas competências nos jovens líderes e fazer do aprendizado uma fonte de inspiração para uma vida melhor.
 



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