Com atrasos em repasses da Bolsa Universitária, instituições fazem alertas a estudantes

27/11/2018 09:10

Com atrasos em repasses da Bolsa Universitária, instituições fazem alertas a estudantes

BOLSA UNIVERSITÁRIA - Sindicato diz que soma das pendências desde fevereiro pode chegar a R$ 70 milhões este mês. Situação deixa universitários preocupados

26/11/2018 - 23:00

A situação preocupa a estudante de jornalismo, Lívia Sepulvedo da Silva, de 20 anos: “certamente seria difícil caso, o benefício fosse suspenso” (Foto: André Costa)

A Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) já acumula dívida de R$ 62 milhões com as universidades e faculdades particulares goianas por conta do Programa Bolsa Universitária (PBU). Até novembro, se o débito não for quitado, chegará a R$ 70 milhões. Para dezembro, o acumulado pode chegar a R$ 82 milhões. Depois de assembleia realizada nesta segunda-feira (26), os representantes do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Educação Superior do Estado de Goiás (Semesg) decidiram permitir as matrículas dos alunos contemplados, mas eles serão informados de que isso não garante a continuidade do benefício em 2019.

Presidente do Semesg, Jorge de Jesus Bernardo informa que o sindicato tem procurado a OVG para conversar a respeito do assunto, mas que não recebem resposta sobre o cronograma de pagamento. Bernardo detalha que as faturas dos meses de fevereiro, março, abril, agosto, setembro e outubro estão em aberto. “Faltam dez dias para que a fatura de novembro entre nesse montante e a dívida pode chegar a R$ 70 milhões e não temos qualquer posicionamento. Isso complica nossa situação e por isso nos reunimos para discutir o assunto”, explica Bernardo.

Panfletos estão sendo confeccionados para ajudar na divulgação destas informações. “Queremos deixar claro para os estudantes que a matrícula não será barrada, suspensa ou coisa deste tipo, mas que fazer a matrícula não é garantia de que o benefício terá continuidade no próximo ano. Sabemos que isso terá um impacto grande na vida de muitos estudantes, mas não podemos arcar sozinhos com essa responsabilidade”, destaca o presidente.

Continuidade

Aluno do curso de direito, Alexandre Souza Lima, de 22 anos, diz que terá de parar de estudar caso o benefício seja suspenso. “Não tenho como continuar porque sou eu quem pago a mensalidade e como tenho outras responsabilidades, como alimentação e transporte, o salário que ganho não é suficiente”, diz. O estudante, que também é estagiário em um escritório, afirma que a bolsa é fundamental para a conquista do diploma. “Espero que tudo se resolva logo. Faltam apenas dois anos para concluir o curso e essa mudança agora mudaria meus planos”, diz.

A estudante de jornalismo Lívia Sepulvedo da Silva, de 20 anos, cursa o 6º período de jornalismo e também tem bolsa no programa da OVG. “A bolsa alivia o que eu pago. Hoje tenho 70% de desconto e certamente seria difícil, caso o benefício fosse suspenso”, diz.

A estudante conseguiu a bolsa no segundo semestre do curso e afirma que é um programa importante para a continuidade da graduação. “Eu tenho certeza de que muitos alunos só estão na sala de aula por causa dessa bolsa. Tomara que tudo volte ao normal e eu, assim como tantos outros estudantes, não sejamos prejudicados”.

A aluna de Gestão de negócios Carolina Andrade, de 24 anos, diz que não terá outra alternativa a não ser deixar os estudos. “Quando me matriculei já foi contando com esse auxílio. Sou de família pobre e a única maneira de chegar a uma faculdade era por meio dessas ajudas. É muito triste pensar que os governos não priorizam a Educação. Caso o benefício não seja renovado em 2019, tenho certeza de que, assim como eu, muitos estudantes ficarão sem estudar”, lamenta.

Goiás tem hoje 20 mil alunos beneficiados com o PBU. A bolsa parcial prioriza universitários que têm renda bruta familiar mensal de até seis salários mínimos. Já a bolsa integral contempla alunos com renda bruta familiar de até três salários mínimo. O programa já atendeu mais de 200 mil estudantes em Goiás, segundo a OVG, desde a criação do mesmo em 1999.

Jorge de Jesus Bernardo diz que as instituições contam com estes valores para realizar sua gestão e que com esta inconsistência de repasses, os administradores estão buscando bancos como alternativas para pagamento de dívidas com fornecedores, impostos e folhas de pagamento, por exemplo. “A universidade tem que manter seu funcionamento e isso não ocorre sem o funcionário, sem os materiais necessários”, diz. Ele destaca que esta tem sido uma alternativa cara. “Não temos condição de assumir toda essa responsabilidade sozinhos”.

“Administrar com essa dificuldade financeira é inviável. Não vamos barrar matrículas, mas vamos informar o problema.” Jorge Bernardo, Presidente do SEMESG

Sem data para quitação

A Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) encaminhou nota sobre a reclamação das instituições de ensino superior referentes ao Programa Bolsa Universitária, mas não informou sobre o cronograma de pagamentos. Segundo a resposta, a informação é que a organização não foi notificada pelas Instituições de Ensino Superior credenciadas sobre a não realização da matrícula dos bolsistas do Programa Bolsa Universitária (PBU).

A nota ainda diz que a equipe econômica do governo trabalha para a elaboração de um cronograma de pagamento. A continuidade do programa é muito importante e os bolsistas devem seguir frequentando normalmente a universidade, além de cumprir a contrapartida. A Secretaria da Fazenda (Sefaz) também foi procurada para dar um posicionamento sobre os pagamentos, mas não respondeu às perguntas, apenas informou que as dúvidas deveriam ser encaminhadas para a OVG.

Em setembro o POPULAR mostrou que a Sefaz e a OVG reforçaram que cumpririam um pacto acordado com as instituições de realizar alguns pagamentos até o mês de dezembro. Presidente do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Educação Superior do Estado de Goiás (Semesg), Jorge de Jesus Bernardo informa que em setembro, quando o POPULAR mostrou o problema, a dívida era de R$ 60 milhões. Em 1º de outubro parte da dívida foi paga. “Eles repassaram um valor referente ao mês de julho, mas de lá para cá nada foi repassado, então a dívida voltou para a quantidade devida à época e está aumentando a cada dia”.

Alunos disseram que entram na página da OVG na internet e que aparece o registro de que todos os repasses foram feitos, o que é negado por funcionários de departamentos financeiros procurados pela reportagem.

Fonte: Jornal O Popular - Cristiane Lima
 

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